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I’m Back!

15 mar

Dei uma boa pausa no blog, mas não foi porque quis, e sim por falta de opção! Estava muito indecisa (ainda estou) mas ví que ainda tenho alguma esperança. Acho que é um sinal pra não desanimar. Bom, logo mais tem mais…rs =P

para ver mais acesse o meu Flickr

O olhar que revela poesia – Luciana Prado

18 jan

A internet nos possibilita conhecer pessoas do mundo todo, e no post passado, em que  falo sobre minha descoberta, falei também de alguns fotógrafos  que me inspiram, e graças a  internet tive a oportunidade de conhecer/conversar  com a Fotógrafa Luciana Prado. Já acompanho o site e blog dela há um tempo, e quando tive a oportunidade, perguntei se pudia responder umas  perguntas sobre o que faz, em pouco tempo ela me respondeu com o maior prazer.

Então, nada mais justo do que deixar ela mesmo falar sobre o tema, e assim como em seu site, esse post, leva o mesmo nome.

Aproveitem!

Fale um pouco sobre as suas referências?

LP: São inúmeras, e nem todas vêm da fotografia, são influências indiretas que falam mais a respeito da minha sensibilidade, do que me move. Diria até que muito vem da literatura, do tempo que eu me dedicava à escrita e queria ser escritora. Cada sessão para mim é como uma história que se desenrola diante dos meus olhos e a mim cabe contá-la, usando a sensibilidade e a técnica para traduzi-la visualmente. Leio vorazmente desde a infância, e minhas autoras preferidas são Clarice Lispector e Marguerite Duras.

Adoro também ler sobre fotografia, tenho centenas de livros sobre o tema. Gosto tanto dos livros que apenas mostram as fotos quanto daqueles que falam sobre o processo de criação.

Na pintura, sou encantada pela obra de Edward Hopper e seus retratos da vida urbana onde a luz é personagem principal. Também gosto dos impressionistas, o que explica minha paixão pelos fundos desfocados. Fotografo a maior parte do tempo utilizando a abertura máxima da lente para conseguir esse efeito.

Na fotografia, gosto muito de Elliott Erwitt, Cartier-Bresson, Richard Avedon e Robert Doisneau, entre outros. Também acompanho regularmente o trabalho de fotógrafos que se dedicam à fotografia infantil e de família ao redor do mundo, através da Internet e de livros.

Quando entrei no seu blog, antes de vermos suas fotos vc coloca uma frase que acho a mais pura verdade, que é: “O Olhar que revela poesia”, gostaria que vc explicasse um pouco mais essa frase?

LP: Poesia conjuga beleza com conteúdo, e é isso que eu quero alcançar com a minha fotografia. O momento que resume uma história, um sentimento, revelado pela luz. Da mesma forma que o poeta busca a melhor palavra, a melhor rima, eu busco o melhor ângulo, o melhor jogo de luz e sombra, o momento exato. A poesia é permeada por associações e diz muito em poucos versos e isso representa minha visão da fotografia, que em um único quadro traz uma infinidade de significados. Finalmente, assim como a fotografia, a poesia fala à alma!

Considero suas fotografias um trabalho artístico, autoral e bastante conceitual, como vc conseguiu chegar a esse nível e como se conquista um cliente, visando que hoje em dia eles (os clientes) só se preocupam com o preço e muitas vezes deixam a qualidade de lado?

LP: Para cada cliente que busca preço, tem outro que busca valor. Você escolhe qual deles quer atender. Eu escolhi, muito cedo, que era valor que eu queria oferecer e me empenhei para que meu trabalho tivesse a qualidade que eu, perfeccionista que sou, exijo.

É difícil cobrar por esse tipo de trabalho?

LP: Não se você tiver em mente que seu produto é a imagem, feita de acordo com o seu olhar, sua técnica e sua experiência. O surgimento da fotografia digital trouxe algumas questões novas, mas não muda o valor do trabalho do fotógrafo. É preciso ter claro que o suporte da foto pouco importa, pode ser o livro, o papel ou o arquivo digital. Muita gente acha que quando quer “só o cd com as fotos”, vai custar pouco, e alguns fotógrafos iniciantes contribuem para esse tipo de pensamento, porque fazem a sessão por 100 reais e dão o disco com todas as fotos, como se não houvesse custo. Ledo engano. O valor da foto não está associado ao custo do papel em que ela é impressa.

Eu não vendo papel, vendo a imagem que está nele. Por isso, o custo do suporte para mim é irrelevante. Vc não paga um advogado pelo valor do papel que ele usou para redigir o contrato, nem o músico pelo custo do papel que foi usado para a partitura. O jornalista não vai cobrar menos pela reportagem porque ela foi enviada por e-mail!

Com a foto, é a mesma coisa. O valor cobrado é relativo à sua experiência, seu talento, seus custos com equipamento e formação contínua de qualidade, suas horas na sessão, antes e depois dela, editando e tratando as imagens, entre muitas outras coisas. O suporte o cliente escolhe de acordo com sua conveniência, não pelo valor. Ter uma foto minha no disco ou no papel não altera seu valor.

Indo um pouco mais além, como você vê o mercado fotográfico, em que muitos profissionais (que se dizem profissionais) acabam  pegando trabalhos pelo preço e não pela qualidade, deixando o trabalho com um nível muito inferior ao que seria se realmente cobrasse pela qualidade?

LP: Acho que esse tipo de profissional vai logo se cansar e partir para outra coisa. Porque para sobreviver cobrando muito pouco, é preciso ter um volume enorme de serviço, que impede o resultado de qualidade e a dedicação em horas que cada trabalho pede. Outro dia, li em um fórum americano a experiência de uma fotógrafa que tentou seguir esse modelo durante um ano. Ela cobrava muito pouco, entregava o cd com todas as fotos e tentava ganhar na quantidade. Dizia ela que, no momento de fechar as contas, no fim do ano, descobriu que teria ganho mais trabalhando no Mc Donald’s – com muito menos stress! Depois de computar seus gastos com aquisição e manutenção de equipamento, deslocamentos, presença na Internet, divulgação para atrair o volume de clientes que ela precisava, horas trabalhadas e muito mais, ela viu que o modelo não funcionava e, pior, ela estava totalmente saturada da fotografia. E isso aconteceu nos Estados Unidos, onde esse mercado é muito mais antigo e maduro do que o daqui, que está dando os primeiros passos.

Muitas vezes o iniciante pensa que qualquer coisa que ganhar é lucro, cobra o mínimo para ganhar o trabalho e pensa que está sendo esperto. O tempo mostrará que não. O mesmo amigo que elogia suas fotos e diz que você deveria começar a cobrar, é aquele que, quando virar seu cliente (se virar!) vai reclamar que a foto impressa que você entregou está com os tons de pele azulados, que está desfocada, que não tem qualidade. Porque quem paga, tem direito de exigir e quem não está preparado para estar à altura dessa exigência, vai se queimar. É importante pensar em tudo isso antes de iniciar uma profissão para a qual não se está preparado.

Hoje em dia vc ainda busca por seus clientes ou eles já vem até você?

LP: A vantagem da fotografia é que nosso trabalho é a nossa propaganda. Um cliente satisfeito mostra suas fotos para todo mundo, e atrás dele vêm outros. Não existe divulgação melhor do que a propaganda boca-a-boca e é assim que muitos clientes me conhecem.

Por fim, qual a dica que vc daria pra quem quer seguir esse mercado?

LP: A dica é uma só: diferencie-se pela qualidade. Atualmente, qualquer um compra sua primeira reflex digital, começa um blog e oferece seus serviços, sem ter a menor noção de fotografia e, portanto, não tendo qualidade para cobrar um valor que garanta sua sobrevida no mercado. Nesse mundo onde todo mundo tem pressa e busca o caminho mais instantâneo, diferencie-se dando a você o melhor presente possível: tempo! Tempo para estudar, tempo para aprender, tempo para experimentar, tempo para consolidar um olhar único. O melhor conselho é aproveitar o hobby sem querer fazer dele um negócio. Assim, sem pressa, chegará o momento de dizer, com orgulho e confiança: sou fotógrafo profissional! E o mercado vai responder reconhecendo seu valor.